30 de jun de 2008

ESTILISTAS APROVEITAM INTERESSE ESTRANGEIRO NA MODA BRASILEIRA

Enquanto Gisele Bündchen agitava os corredores da Bienal do Fashion Week, um grupo de 51 associados da Associação Brasileira dos Estilista (Abest) aproveitava o crescente interesse internacional pela moda brasileira para negociar com 25 lojistas estrangeiros. Vindos dos mais diversos países, eles mantiveram uma intensa agenda paralela à São Paulo Fashion Week para estreitar as relações com os fornecedores brasileiros. Quando foi criada em 2003, os associados da Abest exportaram US$ 600 mil. No ano seguinte, com nove integrantes, contabilizaram US$ 3 milhões em vendas externas, em 2006, já com 51 associados, atingiram US$ 12 milhões. Já em 2007 esse número ultrapassou a marca de US$ 26 milhões, exportando produtos de qualidade, design e identidade cultural para 38 países.

Tudo isso em um cenário completamente adverso para o mercado de vestuário comum, que sofre com a concorrência dos produtos asiáticos. O destaque para as vendas de maior valor agregado fica por conta de mercados como os Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e Japão, que buscam pelas grifes nacionais. Dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) mostram que, no ano passado, a indústria de vestuário exportou US$ 269 milhões. Os Estados Unidos foram os maiores compradores, com US$ 75 milhões. Seguido da Alemanha e Reino Unido, com US$ 29 milhões e US$ 22 milhões. "Dentre os 20 maiores compradores de vestuário, um dos destaques é a Grécia, que volta seus olhos à produção brasileira. Nos Países Baixos e Austrália o Brasil também tem aumentado sua participação", diz Maurício Borges, diretor da Apex Brasil. Segundo ele, São Paulo e Santa Catarina são os dois principais exportadores de vestuário do País, representando, respectivamente, 37% e 36% do valor exportado em 2007.

Os calçados são parte significativa das exportações, principalmente ao Reino Unido, Estados Unidos e Espanha. "Estamos entre os 13 maiores exportadores de calçados aos 20 maiores importadores do mundo", diz. Os grandes parceiros brasileiros são Itália, que aumentou, neste período sua participação em 106%, Argentina (60%) e Espanha (52%). O Rio Grande do Sul foi responsável por 64% das exportações brasileiras de calçados em 2007. Ceará foi o segundo colocado, uma vez que suas exportações cresceram 46% entre 2005 e 2007.


Novos mercados

"Estes compradores fazem questão de vender roupas com grifes, criadas por nossos designers, com maior valor agregado", destaca Amir Slama, presidente da Abest, referindo aos 25 participantes da reunião que aconteceu no último domingo.. "As negociações estão cada vez melhores", assegura. O objetivo agora, segundo ele, é expandir a participação das vendas além dos 48 países. Para isso, algumas estratégias estão sendo traçadas, não só para ampliar como para estreitar as relações com os já conquistados. "Até 2010, queremos cumprir a meta de manter relações comerciais com empresas, tradeshows e lojas de mais de 90 países", diz Slama, estilista e fundador da Rosa Chá, grife de moda praia de grande aceitação no exterior. Valdemar Iódice, vice-presidente da entidade, diz que, desde a criação da entidade, o objetivo era mostrar ao mundo a constante evolução da moda brasileira. "Encontramos estilo próprio e estamos cada vez mais profissionais e a proposta deste encontro com compradores é reforçar nossa participação lá fora", diz o estilista da marca Iódice, que hoje está em 120 pontos de venda no exterior e faz, em setembro, seu segundo desfile em Nova York.

Ahmed Dahbour, diretor de compras da Salam - a mais importante loja de departamentos de luxo do Oriente Médio, presente em Doha, Dubai, QAbu Dhabi, Al Ain e Muscat, e que vende Dior, D&G, John Galliano e Just Cavalli - veio especialmente para o evento da Abest e ficou impressionado com o design "made in Brazil". Depois de visitar diversos showrooms, encomendou coleções completas de Isabela Capeto e Clube Chocolate. "Quero ver também as coleções de Glória Coelho e da Osklen", conta. Além de Dahbour, representantes da butique Etoile, também de Dubai, estavam no evento da Abest.

Até a França, país hermético a designers de fora, volta seus olhos para a moda brasileira. Martine e Armand Hadida, proprietários das seis butiques de luxo L´Eclaireur (cinco em Paris e uma em Tóquio), animaram-se em ver as coleções desfiladas no São Paulo Fashion Week. "A moda brasileira chega à maturidade. Tecnicamente os produtos são muito bem-acabados", avalia Martine. Ana Castilho e Albertina Reis, donas da loja D-Modé, de Cascais, disseram que Portugal ainda consome não mais do que moda praia brasileira. "Uma das únicas exceções é Juliana Jabour, que caiu nas graças de nossas clientes", diz Ana, que vende vestido da estilista por € 300. "Já que os olhos do mundo estão voltados para a moda do Brasil, teremos de nos profissionalizar", avalia Carlos Simões, consultor e criador da ONG "Projeto de Moda". "Hoje, das mais de 7 bilhões de vestimentas produzidas aqui, apenas 8% são exportadas, mas temos chances de elevar este número nos próximos anos", conclui.
FONTE: Gazeta Mercantil

Um comentário:

*Laura Pereira disse...

muito bom!! viva o "made in brazil"!!