4 de ago de 2008

Os Brasileiros estão PRONTOS!


O iPhone 3G já está de malas prontas para dar as caras no Brasil. Como todo mundo já sabe, duas operadoras - Vivo e Claro - trabalham para colocar o telefone Apple no mercado nacional antes do fim do ano. Ao mesmo tempo, as empresas que têm na internet a sua base correm atrás para se adaptar ao novo mundo que tem no iPhone sua tela mais visível: o da internet via celular. Elas querem ser as primeiras a apresentarem interfaces e aplicações adequadas ao visual e aos recursos do aparelho inteligente da Apple - em português.
Investir na adaptação de suas plataformas para a internet móvel não é uma opção; é questão de sobrevivência. Muitos especialistas - entre os quais se destaca Vinton Gray Cerf, vice-presidente do Google e um dos pais da internet - têm como favas contadas que, num futuro cada vez mais próximo, a principal porta de acesso à rede mundial será a tela do celular.
Daniel Topel, CEO da NetMovies, já trabalha com essa perspectiva há alguns meses. E tem números que embasam essa perspectiva. "Em abril, apenas 2% dos acessos ao NetMovies era via celular. Em maio, isso já saltou para 3,7%".
A Net Movies é uma bem sucedida locadora de vídeos100% online com dois anos de vida, que deve fechar 2008 com cinco milhões de locações nas maiores cidades da região Sudeste. A empresa já tem uma plataforma mobile (via celular) para locação de DVDs desde o ano passado. Mas Topel tem idéias muito mais interessantes para aproveitar as delícias da internet móvel em banda larga. "Estamos desenvolvendo uma plataforma que permita o download de filmes (video-on-demand)".
O executivo fala de filmes, seriados e tudo o mais que puder ser licenciado. Ou seja, uma locadora que dispensa suportes como DVD ou VHS - e, de quebra, toda a logística envolvida com a entrega "física" dos filmes. Pensar isso só é possível graças à duplicação da velocidade de transmissão de dados trazida pela terceira geração da telefonia móvel.
"É coisa muito nova para uma avaliação segura de até onde vai o potencial de crescimento da internet móvel. Mas pensar que, com a chegada do iPhone 3G ao Brasil, a gente ultrapasse logo os 10% do total de locações via celular não é uma perspectiva exagerada", avalia Topel.
Mas e quanto ao preço do serviço? Ainda sem a solução completamente formatada, o CEO já garante que, com o impulso dado pelo iPhone e a evolução da oferta de pacotes de tráfego de dados por parte das operadoras, vai poder oferecer um serviço rápido e a preço competitivo. "Não adianta download de dez horas a R$20 por filme", diz, de forma irrefutável. Hoje, a NetMovies oferece planos com 22 filmes por R$28. O executivo firma um compromisso: "O preço do video-on-demand não pode ficar muito além disso".
Marketing digital. A Media Factory é outra empresa totalmente baseada na internet que só pensa no iPhone. Uma equipe foi destacada do dia-a-dia das soluções em campanhas de marketing digital - inclusive SMS marketing - para desenvolver ferramentas que aproveitem os múltiplos recursos do telefone da Apple.
"A nossa idéia é que nossos clientes possam acompanhar, de onde estiverem e de forma simples, como andam, por exemplo, as campanhas de banners, o número de cliques em links patrocinados ou os envios de email marketing. O iPhone oferece a possibilidade de desenvolvimento de plataformas desse tipo e muitas outras funcionalidades. Pretendemos oferecer opções para que os recursos do aparelho possam ser utilizados plenamente. Esse vai ser nosso diferencial", diz Luiz Augusto Barros, diretor de Tecnologia da empresa.
Usuário do iPhone há três meses (parece pouco, mas convém lembrar que o aparelho tem apenas um ano de vida), Barros lembra outra característica que, além de impulsionar a internet móvel, vai facilitar a vida do pessoal de desenvolvimento e pode ser creditada ao aparelho. "Também vai funcionar como um unificador de linguagens. Hoje, existem vários sistemas que tendem a convergir para o formato do iPhone", aponta.
Irmãs gêmeas. Mais empolgada ainda com a chegada do iPhone está Andiara Petterle, CEO do portal Bolsa de Mulher. O motivo ela expressa em frases com iguais doses de conteúdo e interjeições: "O celular é feminino! Mulher e interface são irmãs gêmeas!".
Andiara revela que o foco do Bolsa de Mulher desde o início de 2008 foi a construção de uma mobile social web, que entrou no ar há poucos dias. "Nós temos no Brasil 20 milhões de mulheres que navegam na internet. E 64 milhões que possuem celulares (54% do total, segundo estimativas)", enumera. Para a executiva, o grande desafio agora é descobrir a cada dia o que essas mulheres que acessam a internet via mobile procuram. "Por exemplo: precisamos levar em conta que o pré-pago é, pelo menos por enquanto, o modelo mais usado entre as usuárias de celular". Mas o Bolsa de Mulher segue um norte: "A experiência nos diz que, para nosso público, se a interface for boa, o produto vai ser bem sucedido".
Hoje, todo o conteúdo do Bolsa de mulher - especialmente a rede social, principal atrativo do portal - pode ser acessado pelos celulares, inclusive fotografias. E comentários e outros conteúdos também podem ser postados por esse meio. "Isso só foi possível graças ao iPhone, que foi um grande facilitador. Com os pacotes de dados ficando em conta, eu não tenho dúvidas do crescimento dessa faixa do mercado. Quem desenvolver conteúdo e interfaces adequados para a plataforma, vai sair na frente".

Fonte: Jornal do Comércio

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